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A Origem do Catolicismo Romano


As sangrentas cruzadas medievais, a inquisição, os julgamentos das feiticeiras de Salém, a exploração praticada pelos missionários, o antissemitismo e os assassinatos em massa dos “hereges” queimados em fogueiras que iluminavam as cidades medievais, dentre outras misérias humanas, constantemente são evocadas contra a fé cristã. Isto ocorre porque o imaginário popular comprou uma grande mentira. Dizem que uma mentira repetida muitas vezes vira verdade. Falo da crença comum de que o catolicismo romano é a primeira igreja, e por consequência, representante da fé cristã. Na verdade, o que o catolicismo romano representa é um conjunto de tradições herdadas do sincretismo religioso. Como um arqueólogo investiga as camadas da terra, identificando períodos diferentes da história, o catolicismo pode ser estudado pelas camadas de dogmas não cristãos. Basta olhar a diversidade da iconografia católica, oriunda de religiões pagãs convenientes ao Império Romano. O protestantismo histórico também não representa fé cristã. Apesar de se desvencilhar da lama do sincretismo católico, os reformadores herdaram algumas manchas, costumes e preconceitos de Roma. A minha denominação evangélica também não representa a fé cristã. Não podemos atribuir os erros de uma igreja local ou denominação a Cristo. O padrão de Atos não é uma igreja oficial, única e verdadeira. Atos dos Apóstolos mostra igrejas locais, independentes e interligadas fraternalmente. Se quisermos saber como era a igreja primitiva, basta lermos Atos e as Epístolas. Mas se quisermos entender o catolicismo, precisamos olhar para o século IV. 

No ano 305, Constantino precisava arregimentar braços humanos para vencer a guerra contra Maxêncio pelo trono de Roma. O pulo do gato foi perceber o crescimento da população cristã no império. Constantino encontrou na visão da cruz argumentos para amolecer os corações incautos. Sobre esse período bem nos informa uma testemunha ocular, o historiador Euzébio de Cezaréia, que denunciou certos líderes de igrejas da época, que passaram a ter um único fim: - "o de assumir o governo como uma espécie de soberania para si mesmos".
As igrejas cristãs naqueles dias alcançaram tamanho, poder e influência antes inimagináveis. E com a “conversão” do imperador, atraíram pessoas de ímpetos venais, que auferiam uso político, minando internamente os princípios cristãos. Isto fez pastores ingênuos se afastarem do propósito central do Evangelho.
Existiam muitas denominações cristãs com liberdade de consciência, divergências de costumes, liturgias e autonomia enquanto igrejas locais. Mas alguns bispos, imbuídos de desejo de poder, passaram a dizer que suas igrejas seriam as verdadeiras detentoras da fé cristã universal (católica, segundo a expressão grega). Estes bispos queriam convencer o imperador romano que seus costumes e liturgias eram ortodoxos (conforme o original), dos apóstolos, universal, a única e verdadeira... Quando na verdade eram doutrinas mistas de tradições do paganismo sob o disfarce de cristãs. Estas misturas agradaram as autoridades romanas, já que mantinham sua iconografia, datas festivas e liturgias pagãs. Havia uma disputa, não pela verdade, mas pelo poder.
Constantino, ainda pagão, organizou e presidiu até concílio "cristão". Flutuou de um a outro grupo até que usou o Poder Imperial para declarar um daqueles grupos de misticismo religioso como Igreja Verdadeira e Oficial da Fé Cristã.
No ano 380 o Imperador Teodósio tornou a opção de Constantino - Igreja Oficial do Império Romano -, destruiu as outras igrejas, em detrimento da liberdade de consciência. Todos os demais grupos religiosos foram impedidos de existir oficialmente. Sobre este fato cruento da história, leiamos as palavras do próprio Imperador Teodósio:
- "Queremos que todas as nações que são governadas por nossa moderação e clemência aceitem plenamente a religião que São Pedro ensinou (sic) aos habitantes de Roma, a qual a tradição nos conservou fielmente e agora nos é professada pelo pontífice Damásio e por Pedro, bispo de Alexandria... Autorizamos aos que seguem essa doutrina que recebam o nome de cristãos católicos, e a todos os demais julgamos insensatos e loucos, assinalamo-los com o nome infamante de seguir um dogma herético, suas congregações não podem assumir a denominação respeitosa de igrejas. Além de serem condenados pela justiça divina, devem esperar sofrer as penas severas que a nossa autoridade, guiada pela sabedoria divina, considere próprio infligir-lhes". (citado por A.T. Jones, op. Cit., p.388).
Os cristãos voltaram a ser “clandestinos” no Império Romano. Os bispos que fizeram negócio com o Imperador não tinham mais nada de cristão. Apenas patentearam o nome “igreja” e tornaram-se seus legítimos proprietários. Ninguém mais poderia auferir este termo sem ser réu da fogueira inquisitória.
As igrejas cristãs que se tornaram clandestinas passaram a ser perseguidas pela Igreja Romana oficializada, mas permaneceram vivas, mesmo proibidas de se manifestar oficialmente. Se os políticos romanos podiam indicar os sacerdotes de suas religiões pagãs, e se a Igreja de Cartago aceitou o grande negócio da fé, que tem Cristo a ver com isto? Foram arengas repulsivas e profanas pela sede de poder de homens maus, e não tem origem nos ensinamentos do Senhor Jesus. A Igreja, como organismo vivo, continuou existindo em diversos grupos que se reuniram clandestinamente por cerca de 1100 anos, até despontar de novo a liberdade de consciência. Mantiveram acesa a chama do Pentecostes, crendo e vivendo a atualidade dos dons espirituais em todos os seus dias. São chamados na historiografia oficial romana de “hereges”.
Sabiamente o Concílio de Westminster declarou que sempre existiram igrejas mais puras ou menos puras, no que concerne a simplicidade do Evangelho. Nelas congregam os membros da Igreja de Cristo sobre a terra, podendo algumas se afastar tanto do Evangelho, que já não compõem a Igreja de Cristo.
Portanto, toda denominação que se considera única e verdadeira também não é uma igreja, e sim uma seita. - Como podemos medir a pureza das igrejas modernas? Lendo o Novo Testamento! Na igreja primitiva está o exemplo a ser seguido: - Cristo. Todo adendo, dogma, penduricalho, tradição, confissão, uso ou costume que não consta no Evangelho deve ser rejeitado. É o dedo sujo de homens religiosos que quiseram fazer por merecer a salvação, mas esta “... não vem pelas obras para que ninguém se glorie, mas é dom de Deus”. (Ef 2.8,9). Deus quebra o orgulho humano ao oferecer a Vida Eterna pela sua graça e nada mais. Leia o Evangelho, conheça Jesus e o receba como único Senhor e suficiente Salvador.