A formação de obreiros é uma função primária da igreja. Jesus disse: “... ide, fazei discípulos...” (Mt 28.18). E como fazer?  Imit...

Segredos Para Formar Obreiros de Caráter



A formação de obreiros é uma função primária da igreja. Jesus disse: “... ide, fazei discípulos...” (Mt 28.18). E como fazer? 

Imitando Jesus.

Ao comparar os Evangelhos Sinópticos em ordem cronológica, entendemos como Jesus, trabalhando arduamente, mostrou a necessidade de formar obreiros. Logo em Marcos 3.7-12 Jesus é seguido por uma grande multidão, de diversas regiões. Ato contínuo, Mateus 9.35-38 diz que Jesus passou a percorrer todas as cidades e povoados, ensinando, pregando e curando toda sorte de doenças e enfermidades. Mateus ainda cita que Jesus viu as multidões aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor, e compadeceu-se dessas pessoas. Daí especificou aos discípulos uma necessidade de oração: 
“-Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande ceifeiros para a sua seara.” (Mt. 9.38). 
Portanto a primeira lição é clara: A formação de obreiros com o caráter de Cristo se dá debaixo do calor da oração. Lucas 6.12-16 explica que naqueles dias Jesus retirou-se para o monte a fim de orar. Sabemos o que inquietava seu coração e, portanto, qual era sua oração que durou a noite toda. Ao amanhecer escolheu doze homens para intensivamente formá-los em três anos, e depois enviá-los ao campo. Note que segundo o exemplo de Jesus, o líder deve se concentrar em alguns, dedicando intensivamente seu trabalho na formação desses novos líderes. (Mc 3.13-19). Jesus ministrava às multidões, tinha os setenta discípulos de Lc 10.1 e 2, mas prioritariamente se dedicou na formação dos doze. Fazia isto justamente pensando na necessidade da multidão. Jesus instruiu os doze com o exemplo de sua vida e com o exemplo do seu trabalho. Alimentou-os com ensinamentos vigorosos. Proporcionou-lhes oportunidades de treinamento em campo. Demonstrou a necessidade do trabalho sempre em equipe. E por fim lhes mandou ficar em Jerusalém até receberem capacitação espiritual, quando foram cheios do Espírito Santo.

O Exemplo de Paulo.

Paulo não blefava quando dizia: “Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo!” (1 Co 11.1). Contagem feita pelo Dr. J. Himitian indica que Paulo manteve, igualmente, doze discípulos e colaboradores mais próximos: 
1. Timóteo: Jovem Pastor em Éfeso. (Rm 16.21; 2 Tm 4.9).
2. Demas: Amou o presente século igual Judas. (Cl 4.14; 2 Tm 4.10).
3. Crescente: Foi à Galácia. (2 Tm 4.10).
4. Tito: Foi à Dalmácia. (2 Tm 4.10).
5. Lucas: Escreveu um Evangelho e Atos. Estava com Paulo. (2 Tm 4.10).
6. Marcos: Escreveu um Evangelho. Timóteo devia trazê-lo. (2 Tm. 4.11).
7. Tíquico: Enviado a Éfeso. (2 Tm. 4:12).
8. Priscila e Aquila: Em Éfeso. (2 Tm. 4.19; Rm 16.03).
9. Erasto: Em Corinto. (2 Tm 4.20).
10. Trófimo: Enfermo em Mileto. (2 Tm 4.20).
11. Epafras: Em Filipos. (Fp 2.15; Cl 1.7 e 8; 4.12; Fm 1.23).
12. Ártemas: Em Creta. (Tt 3.12).

Paulo não era pastor do tipo zelador de templo. Entendia que sua responsabilidade incluía cidades e povoados, onde houvesse almas. Tinha visão de Reino. Entendia que o Espírito não loteia regiões geográficas, não nomeia exclusivos representantes e não deixa de trabalhar só porque um determinado grupo acha que já evangelizou toda uma região e diz que não há mais trabalho a ser feito. Como disse Billy Graham: “- A Bíblia não manda que os pecadores procurem a igreja, mas ordena que a igreja saia em busca dos pecadores”. O líder de uma Igreja deve entender que não foi constituído líder na congregação, mas na cidade, no bairro ou comunidade onde está a igreja. Daí o dever de formar obreiros. Paulo não se preocupava se algum destes brilharia mais que ele no ministério. As igrejas que Paulo fundava ficavam bem alicerçadas, mesmo sem a sua presença, ele não era indispensável. Nas cidades que trabalhou, durante curto ou médio prazo, formou obreiros para que pudesse expandir a igreja em outras regiões. Se Paulo não formasse obreiros não teria chegado tão longe. Em 2 Tm 2.2 Paulo manda Timóteo fazer o mesmo, ou seja, formar novos obreiros: “-E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros”.

Formação Espiritual.

Em primeiro lugar, a formação de um obreiro deve passar pela sua formação espiritual. Ou seja, a edificação espiritual de sua vida até a estatura de Cristo: “... à medida da estatura completa de Cristo, 
para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente”. (Ef 4.13 e 14). Outra recomendação quanto ao caráter do obreiro está em 1 Tm 3.1: “-Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, ...” Existem algumas áreas que são de indispensável importância para auferir o caráter do obreiro, como por exemplo: “família, trabalho, relacionamento social, princípios quanto a sexualidade, administração do dinheiro e ética”.

Capacitação Ministerial.

Além da formação espiritual, o obreiro deve receber investimentos em sua capacitação ministerial. O mundo está ávido pelos talentos de nossos jovens. Autos investimentos são adequados à formação de jovens no ocultismo ou nas manifestações artísticas que descambam ao relativismo moral. Até a criminalidade e contravenções investem na formação dos seus pares. Já algumas igrejas “matam” quando estes sentem a chamada do Espirito Santo. Esta “Teologia do Domínio” tem que ser jogada na lata do lixo, para que possamos investir na formação de obreiros. Não faz sentido tanto apelo missionário, se no lugar de orarmos e jejuarmos para que o Espirito comissione seus obreiros, preferirmos as negociatas sujas dos apadrinhadores. (At 13.2 e 3). Aqueles senhores que se acham "os legítimos", estão na verdade embriagados com o ópio da religião. Mas a ordem apostólica continua fazendo eco em nossas igrejas: “- Sede Sóbrios...” (1 Pe 5.8).

A capacitação de um obreiro em nossas igrejas tem levado em média 10 anos, começando como Cooperador até se formar um Pastor. O sistema oficialmente requer durante este tempo, participação em estudos semanais como Culto de Doutrina e Escola Bíblica Dominical e demais Reuniões Devocionais. Também anualmente se realiza um curso intensivo conhecido como Escola Bíblica de Obreiros. As convenções regionais estão exigindo ainda um curso teológico regular. Ocorre que na prática existem obreiros despreparados, sem capacidade para manejar bem a espada da verdade. (2 Tm 2.15). Deve se investir no rigor de nosso sistema, para que tenhamos obreiros capazes de fazer uma exposição bíblica em nossos púlpitos. Não basta aplicar verdades bíblicas, falando por inspiração. O povo só encontrará um verdadeiro avivamento, se antes se encontrar com a Palavra. Ou seja, se nossos obreiros forem capacitados a ensinar Bíblia - a fonte do verdadeiro avivamento. O obreiro de caráter é aquele que fala menos “da” Bíblia e mais “a” Bíblia. É aquele que antes de ler os compêndios teológicos, se preocupa em ler a própria fonte – a Bíblia Sagrada.

Princípios Cristãos.

Para formar um obreiro de caráter, além da formação espiritual e capacitação ministerial, ele precisa receber alguns cuidados de seu líder: O líder deve amar seu obreiro. (Jo 13.34). Deve conhecer seu obreiro. (Jo 10.14). Deve animar seu obreiro. (2 Tm 1.3-7). Deve repreender falando ao próprio obreiro. (Tt 2.15). Deve honrá-lo. (Jo 12.26). Deve ser seu amigo. (João 15.15). Deve dar a vida pelo obreiro. (Jo 10.11). Os princípios que Cristo ensinou continuam valendo para todas as “divisas” do seu exército de pregadores na terra.